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Acho que foi sábado

com um comentário

Sabia que conhecia a mulher de algum lugar.

- Aquele Valsa com Bashir que comprei de você – foi num dos três primeiros dias lá, não tem mais, sei que não tem porquê nunca chega nada e eu sempre olho as caixas -, queria outro.
- Lembro, lembro sim. Acho que não tem, vou ver.

Da outra vez ela veio sozinha, dessa com o marido ou namorado (cara de marido, intimidade faíscante demais pra outra coisa – isso pra mim). Caramba, caramba. Que casal bonito. Ela sem um nada de maquiagem (maquilagem?) no rosto, aquela cara de essa-cara-de-sono-é-constante, ele um tio descolado. Primeira vez que uso essa palavra a sério. Deviam ter uns quarenta e qualquer coisa, ela 46 ele 45 mas com cara de 49 por causa do cigarro ou algo assim. Fui ver e vi que não tinha mesmo, voltei pra me dar com o que a cada segundo me fazia achar que tudo ali valia mais e mais e mais a pena, os dois sentados no chão de pernas cruzadas cada um com uns três ou quatro volumes de qualquer coisa na mão, ela com um quase sorriso enquanto ele falava sobre isso ou aquilo e qual era melhor.

- É, não tinha, acho que chegou um outro depois daquele mas o povo do Sesc veio aqui e fez um rombo na seção.
- Ah, a exposição do Eisner, é. Chegou alguma coisa?
- Aham, umas coisas, vou pegar e já volto.

Os dois ainda lá no chão cercados de uma bagunça que arrumaram. Não tinha coisa nova, errei. Foram pagar tempo depois com Persépolis e outras coisas na mão.

- A gente já deu o Persépolis pra alguém né?
- Acho que pra
- Bi, não foi? – Bi. Será que existe um clube de leitores de quadrinhos acima dos quarenta por aqui?

E isso pegou: os dois tamborilando os dedos duas vezes cada na lombada de um dos livros. Cada um olhando pra um lado e foi tudo tão sincronizado tão combinado que me deixou besta agora de novo.
E aí falei daquele do Quintanilha e eles quiseram os dados tipo o preço e a data e o material e que era capa dura, anotaram, levaram o Persépolis pra presente e foram embora. E eu fico aqui que nem o Jack Nicholson (Nicholson?) em Retratos ou Retrato de uma Obsessão, pensando no que eles fizeram, aonde foram, na festa, na pessoa que receberia o Persépolis, nas reuniões deles, no seu grupo ou seus grupos de amigos, na decoração da casa, nas estantes, no sofá, na cozinha, no jantar. Não na intimidade que assim com intimidade dos outros de verdade eu não gosto de mexer.

Não fiz as sobrancelhas

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Três vivas aos tempos modernos!
Produtos de higiene pessoal e beleza, sintam meu afeto!
Um brinde aos salões unissex!
Não olha com essa cara, não é bem assim. Só acho que é muito agradável o fato de você poder comprar uma tintura pra cabelo e poder manter um mínimo de dignidade na frente da moça do caixa.
Viva o pó de arroz!
A pinça e os alicates!
Os cremes de tratamento de choque!
O brilho labial sabor melancia!
Tá, brilho labial é demais. Batom de cacau. Protetor solar. Tanto faz.
Coisa de homem.