tango do mecânico
Tonico vestiu seu casaco,
trancou a porta,
trancou o portão,
andou a calçada,
virou a esquina,
entrou no bar,
comeu um pãonachapa,
bebeu um café requentado de garrafa térmica da Walita,
pagou com uma nota de um e levou uma bala,
voltou pra rua,
seguiu duas quadras,
viu o portão de casa aí encostaram um cano em sua barriga e ele não tinha nem nota de um e levou outra bala.
jack frost
Acaba a força numa vila mínima coberta pela neve.
Um menino de dezessete se levanta e olha a janela do quarto.
A sombra dos cabos de força lá fora treme.
Mudam pra algo como três macacos pendurados.
Ele pula a janela e vê três crianças se lançando de cabo em cabo.
Outras se juntam e pulam nos carros. Alarmes disparam e só os faróis piscando iluminam a única rua do local.
Cai a neve e o menino caminha rumo à calçada para ver melhor. O pai do menino acaba de abrir a porta de casa e vê seu filho indo rumo àquela Babilônia.
O menino ouve passos e se vira e vê um punho fechado.
O pai gritando na calçada.
As crianças parando e uma a uma indo rumo ao pai.
Os alarmes ainda piscando.
Cada criança traz algo numa das mãos.
O pai vê bonecos de neve na rua.
Vê o menino sendo arrastado.
As crianças se aproximando com duas bolas de neve enormes e alguns gravetos.
We’re causing people pain / I stand and take the blame, you scramble into the night
Iii, triste.
A tal da inspiração vem, vai, jogada fora porque a caneta tá longe. Acho que por hora basta. Ou não. Na verdade nem sei o que é isso tudo.
O mau-humor me acompanha há uma semana mais ou menos. Um misto disso e daquilo e falta disso e daquilo também só torna
os dias mais quentes
o meu saldo bancário mais risível
os me-times mais irritantes
a minha barba mais irritada
as conversas mais ríspidas
tudo fica meio ruim. Daí de repente chove e de repente esfria e de repente eu fico com o saco um pouco menos cheio.
São Pedro, obrigado.
mamãe e deus
Mãe, não me faça chorar em horário de trabalho, isso espanta os clientes.
