Patch Adams sem nariz de palhaço
“Eu já queria já esclarecer de vez já depois que a gente viu esse vt aí explicando etc e tal que você ficou conhecido no mundo inteiro atráves do filme do seu trabalho, né, o quê que você achou do filme? O filme foi fiel à sua história ou os roteiristas de Hollywood deram uma mexidinha, fizeram alguma coisa a mais?”
“No início, fiquei constrangido com o filme. Sou ativista político, trabalho pela paz e pela justiça. Considero fascista o meu governo. Se não mudarmos de uma sociedade que venera dinheiro e poder para uma que venere compaixão e generosidade não haverá esperança para a sobrevivência do ser humano neste século. Precisamos deter um sistema que, pela TV, estimula a concentração do dinheiro na mão de muito poucos. Então Hollywood queria vender ingressos. Duas coisas vendem ingressos: violência e humor. Desse modo, preferiram enfatizar o meu esforço em abrir o único hospital maluco da história. Ignoraram o fato… Falo de um país que se recusa a cuidar de 50 milhões de pessoas porque são pobres. Ignoraram o fato de que luto pela medicina gratuita. Se me permitem – estou aqui na berlinda – posso corrigir algumas coisas do que foi lido.”
“Claro!”
“Não concordo que rir é o melhor remédio. Eu nunca disse isso. A amizade claramente é o melhor remédio. É a coisa mais importante na vida. São nossas relações com aqueles que amamos. Infelizmente os meios de comunicação, sendo como são, muito antes de me conhecer imaginam que rir seja o melhor remédio. Então, quando escrevem o artigo, colocam essa frase porque o fazem na realidade sem pensar. Também quero corrigir a idéia de que rir seja uma terapia. Também nunca penso em música como terapia, nem em arte, nem em dança. Nunca precisam da palavra terapia, que é pequena, para ajudar. A arte não precisa da ajuda da palavra terapia. É a cultura humana. Não fazemos terapia de cultura. Se estamos saudáveis, fazemos cultura. Para mim, humor é contexto. No nosso hospital exigimos que o pessoal seja alegre, gozado, carinhoso, cooperativo, criativo e atencioso. É um modo para uma comunidade humana saudável integrar-se, para não haver violência, para um cuidar do outro. Portanto, nunca penso … também nunca penso na diferença entre levar humor para uma criança moribunda e ser cordial com um homem de negócios no elevador. Para mim são experiências iguais. O filme dá a impressão de que estou prestes a entrar no quarto de uma criança enferma e fazer palhaçada. É um filme bom e bonitinho, mas não faz o Brasil querer alimentar todos os cidadãos famintos e parar de matar o rio Amazonas. E eu quero proteger o Amazonas, acabar com a violência contra as mulheres no mundo inteiro, e o filme podia ter integrado isso tudo. Consegui ficar mais tranqüilo com o filme porque… o mundo está tão faminto, até da versão condensada mais simples de qualquer coisa ligada ao amor – porque o amor não está na TV, nem em nenhum lugar, não é ensinado nas escolas – que qualquer versão, até mesmo a versão hollywoodiana mais simples, o mundo aceita, está faminto por isso. Eu assisti. Era um filme internacional de muito sucesso. Estão famintos. Podia ter sido um filme muito mais inteligente. No mesmo ano que em Patch Adams foi lançado Benigni lançou A Vida é Bela, na Itália. É uma versão bem mais inteligente, com uma mensagem parecida. Sei que isso não é exatamente o que vocês queriam, mas, como estou na berlinda, esta situação permite que a conversa tome rumos que as pessoas podem não ter pensado que pudesse tomar.”
(e continua por mais uma hora)
agradecimentos ao DocVerdade pelo link.


A TV me vendeu uma felicidade, os filmes me mostram como ser Feliz, eu quero ter um american way of life. Viva Roliude.