no que escrevemos
o quanto queremos que seja lido?
o porquê da publicação, do tornar público, na esperança de que algum desprendido acabe nos encontrando e faça-se a combustão instantânea do encontro
se é mais por escrever, por que aqui ou aí ou não num papel eterno?
por que escrever?
qual o combustível?
a paixão pelo passar pro papel, pela concretização da etérea gelatina cinzenta
a paixão pela idéia palpável
pelos verborragismos quando há
um conto, conta outra
pela estrutura e o jogo jogado com ela
pelo pé da letra e as figuras de linguagem que ninguém mais lembra (só os chatos)
(discordo do dito acima)
pelo direito da contradição
de hoje amar amanhã cuspir o pão
por rimas acidentais ou planejadas
pela quase musicalidade ou mais que quase
de tudo o que se fala ou escreve ou pensa
o aguardar eterno pelo messias da internet que visitará todos os nossos blogs e fará o comentário que nos curará de todas as nossas solidões e angústias pessoais que são as mesmas, sempre, e só mudam de endereço (de novo o virtu)
dos erros de digitação acidentais ou nunca
da dor de cabeça quando falta a linha próxima
do feedback que cada vez é mais raro (o significativo)
da comunicação por posts e da falta dela
internet
o que é você
te definir é tão impossível quanto definir amor ou ódio, que são a mesma coisa só que do outro lado do espelho
do mesmo lado do espelho
preto e branco
das frases emanadas e posteriormente não-compreendidas por nós mesmos
da autorrevisitação de posts antigos e a melancolia ou o senso de deslocamento em relação a si mesmo, às cabeças do passado
do pífio uso inocente das palavras pífia
a palavra é inocente
ela não tem culpa
e nem a gente
ninguém jamais estará certo sobre o significado de qualquer expressão
nenhuma palavra ou expressão significa uma coisa só
brigar por correções: bobeira
brigar: não é bobeira
do direito de amar e odiar
do direito de ser desgostoso com tudo e abraçar o mundo
do direito de mandar o amigo mais amado ir catar coquinho no inferno e ir de mãos dadas cantando junto com o filho da puta
da suposição de que entenderão o que escrevemos
pensar em quantas carapuças servirão despropositadamente
as dores tomadas sem que as inflijamos
da releitura dos textos e múltiplas interpretações por parte do autor
deveríamos ser automaticamente cegos para tudo o que escrevemos
escrevi e não li
não corrigi
nem retoquei as maquiagens, ou maquilagens, ou reparei as margens
a falta de sabor numa sequência de caracteres
o gosto soberbo de finitos pixels postos um ao lado do outro
como o molho que eu fiz com orégano, pimenta do reino, cebola, alho e todos os temperos que existiam
(e uma colher de açúcar pra não ficar ácido)
do sentimento de “e agora, o que dizer nesse instante”
e o instante passou, todos os instantes passando
do misterioso poder de poder publicar o texto subitamen


O poder que nos dão, esse o de simbolizar ideias em letras juntas juntas. Juntas por culpa da segregação. do mundo louco. do muito e do pouco.
nem falo. seu texto já diz muito.