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no que escrevemos

29/04/2011

o quanto queremos que seja lido?

o porquê da publicação, do tornar público, na esperança de que algum desprendido acabe nos encontrando e faça-se a combustão instantânea do encontro

se é mais por escrever, por que aqui ou aí ou não num papel eterno?

por que escrever?

qual o combustível?

a paixão pelo passar pro papel, pela concretização da etérea gelatina cinzenta

a paixão pela idéia palpável

pelos verborragismos quando há

um conto, conta outra

pela estrutura e o jogo jogado com ela

pelo pé da letra e as figuras de linguagem que ninguém mais lembra (só os chatos)

(discordo do dito acima)

pelo direito da contradição

de hoje amar amanhã cuspir o pão

por rimas acidentais ou planejadas

pela quase musicalidade ou mais que quase

de tudo o que se fala ou escreve ou pensa

o aguardar eterno pelo messias da internet que visitará todos os nossos blogs e fará o comentário que nos curará de todas as nossas solidões e angústias pessoais que são as mesmas, sempre, e só mudam de endereço (de novo o virtu)

dos erros de digitação acidentais ou nunca

da dor de cabeça quando falta a linha próxima

do feedback que cada vez é mais raro (o significativo)

da comunicação por posts e da falta dela

internet

o que é você

te definir é tão impossível quanto definir amor ou ódio, que são a mesma coisa só que do outro lado do espelho

do mesmo lado do espelho

preto e branco

das frases emanadas e posteriormente não-compreendidas por nós mesmos

da autorrevisitação de posts antigos e a melancolia ou o senso de deslocamento em relação a si mesmo, às cabeças do passado

do pífio uso inocente das palavras pífia

a palavra é inocente

ela não tem culpa

e nem a gente

ninguém jamais estará certo sobre o significado de qualquer expressão

nenhuma palavra ou expressão significa uma coisa só

brigar por correções: bobeira

brigar: não é bobeira

do direito de amar e odiar

do direito de ser desgostoso com tudo e abraçar o mundo

do direito de mandar o amigo mais amado ir catar coquinho no inferno e ir de mãos dadas cantando junto com o filho da puta

da suposição de que entenderão o que escrevemos

pensar em quantas carapuças servirão despropositadamente

as dores tomadas sem que as inflijamos

da releitura dos textos e múltiplas interpretações por parte do autor

deveríamos ser automaticamente cegos para tudo o que escrevemos

escrevi e não li

não corrigi

nem retoquei as maquiagens, ou maquilagens, ou reparei as margens

a falta de sabor numa sequência de caracteres

o gosto soberbo de finitos pixels postos um ao lado do outro

como o molho que eu fiz com orégano, pimenta do reino, cebola, alho e todos os temperos que existiam

(e uma colher de açúcar pra não ficar ácido)

do sentimento de “e agora, o que dizer nesse instante”

e o instante passou, todos os instantes passando

do misterioso poder de poder publicar o texto subitamen

De → Bagunça

Um Comentário
  1. O poder que nos dão, esse o de simbolizar ideias em letras juntas juntas. Juntas por culpa da segregação. do mundo louco. do muito e do pouco.
    nem falo. seu texto já diz muito.

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