Archive for Agosto 2009
anna akhmátova e a descoberta da poesia
Não somos bons de despedidas.
Passeamos lado a lado, os ombros tocando-se.
Já está começando a escurecer.
Estás pensativo, eu não digo nada.
Entramos nesta igreja pra ver
alguém sendo enterrado, batizado, se casando;
depois vamos embora, sem olhar um para o outro.
Por que é que para nós nada dá certo?
Vamos sentar na neve pisoteada
do cemitério, suspirando de leve.
Com a ponta da bengala, traçarás palácios
em que viveremos felizes para sempre.
1917
tudo pronto,
mala pronta, dinheiro no bolso, tudo arrumado.
Só falta dar errado.
E deu.
De volta com a programação anormal
Agora, as notícias:
Balanço
É a vida evitando a morte
É a revanche do fraco sobre o forte
É pura sorte é pura sorte!
(é ilusão, é ilusão)
O pior
Sempre que tenho um pesadelo é pior que o último.
Há tempos não tinha um.
O de hoje foi horrendo, foi uma tortura, acordei chorando e gritando. Pura tortura psicológica, deve ter sido efeito do filme e do calor.
E o mais estranho é que explicava um monte de coisas, envolvia gente que eu nem conhecia e pareceu ser uma continuação de ontem, o que deu a sensação de que os últimos meses eram todos parte também.
Foi surreal das piores maneiras. E das melhores também. E não, não foi sobre os dramas particulares. O que não deixou tudo menos real.
es
correeeeeeeeeeeeeeendo daqui pro banho pro balcão pro quarto
Eternamente responsável

Laranja, capa dura
Comprei um caderninho de anotações e uma caneta preta (que provavelmente vai sumir em alguns dias). Acho que umas coisas não virão de lá pra cá. Opa, quase meia noite. Um brinde aos Potes – que vocês nunca se esvaziem.
Electronica
Tenho uma queda incrível. A new rave não passou batida por mim. Foda-se o Adriano do CSS, foda-se quem ri das luzes e da repetição. Azar o de vocês e do apego que têm a esse ou aquele nome, à essa ou aquela década. Eu gosto. Me diverte. Me deixa leve, me faz dançar até sentado num lugar qualquer. Vai, se apega a isso ou àquilo. E vá pro inferno. Adoro as luzes, as batidas, a repetição. A voz distorcida. A voz quase sempre feminina. Me deixa meio bêbado mesmo que sóbrio. E não gosto de estar bêbado. Exceto assim. Aliás, exceto assim e quando é com alguém tipo os dois. E vocês nem sabem. Aliás, um de vocês sabe. O outro nem vai ler. Talvez um outro ainda leia e ache que falo dele. E eu rio. E eu sou mal. E eu adoro a maldade que sinto agora, toda a capacidade de ser mal, de ferir, de fazer alguém ir parar no fundo do poço. Mas sei – não lá no fundo, apenas sei, me conheço mais do que vocês – que nunca faria isso. Mas me dá aquela felicidade cheia de malícia só de saber que eu poderia. E não vou. Não vou. Ok, talvez vá, mas não vou. And we dance among our sins – ou algo assim. Procurei a letra, não achei, deve ser isso. Se não for eu canto errado mesmo. Você liga? Eu não.
Chega de abstinência
Chega. Chega.