Archive for Julho 30th, 2009
do motivo da não-desistência
É mais ou menos desse jeito:
cada coisa é uma caixa branca. Só abro uma por vez. São muitas, muitas, lá longe nem vejo mais.
Umas são um lixo. Abro e dá vontade de botar a tampa de volta.
Outras brilham. Uma luz emana lá de dentro, é bonito, me deixa feliz, me dá orgulho. Diminuem o cheiro do lixo.
Tenho a mais plena consciência de que não dá tempo de abrir todas.
Sei também que cada um me tira tempo. Não de agora, lá da frente. Vou perdendo os dias um a um. E daí o tempo encurta, e daí eu me desespero vendo as caixas de longe meio embaçadas, vão sumindo na neblina. E aí vem o peso e a noção da merda enorme que devo estar fazendo.
O problema mesmo é:
poucas, pouquíssimas caixas vermelhas.
Todas essas têm a luz. Todas valem a pena.
Porém! Se eu paro…
Se eu paro elas somem.
E daí eu ainda não tenho certeza. E continuo. E os dias vão, lá e cá.
Shift
Tudo volta, eu sou o de antes, eu sou um canalha, um babaca, eu sei. É, foi, parabéns, foi mesmo. A noite toda, o dia todo, a semana inteira. Melhor que com você. Um tanto. O tesão por ela foi bem maior do que por você. O cheiro dela era melhor. O beijo dela me excita mais.
Cafajeste mesmo. Sua falta pariu a minha. Te liguei a noite toda no feriado e a merda do seu celular sem bateria (ou pelo menos foi isso que você me disse). Não fui encher a cara, não fui pra rua, vi ninguém, fiquei lá arrumando a casa – minhas coisas e as suas – só te esperando, imaginando as coisas. Caramba, dessa vez não. Foi muita sacanagem da sua parte, eu tinha planejado tudo! Ri! Ri dos meus planos. Aliás, ri não. Eu já ri minha cota e a sua também.
E sabe o que é o melhor de tudo isso? Saber que ele foi aí. E você me disse que fazia nada, que deu sono, ia dormir cedo, acordar cedo, isso e aquilo pra terminar. E a gente pra terminar também.