metrô, mm
Uma estação de metrô.
Tá tudo lotado, você não consegue se mover direito.
Segura a mochila mais perto, apalpa os bolsos a todo momento.
Celular, carteira, cartão. Chaves?! Chaves.
Chega, todo mundo se move e você se move junto – como se algum protesto fosse de um mínimo valor.
Aos poucos as portas se aproximam, a multidão que sai e a que entra se confundem.
Um banco!
Vazio, você se apressa e senta.
O vagão vai enchendo, você dobra as pernas o máximo que pode pra ceder espaço.
Todo mundo que coube entrou, as portas se fecham, os vagões correm.
Seis estações até lá.
Daí um ônibus um trem e chega.
- Pára!
Uns três minutos por estação, uns vinte quase, menos com o que já passou.
O sabor do chiclete já foi tarde. Agora é amargo, o gosto de uva sumiu e ficou um leve de nicotina que se mistura ao hálito. Amargo.
- Pára!! Pára!!
Porra, tem um cara ali gritando. Nem dá pra ver quem é. Tudo apertado aí e o cara causando um puta tumulto.
- Pára motorista!! Pára pelo amor de deus!!!
Metrô tem motorista? Você não sabia. Mas tem mesmo? Vê o cara ainda gritando. Um nervosismo toma conta do vagão.
- Pára por favor!! Meu filhinho!!
Ah nã
- Meu filho soltou da minha mão!!! Meu filho ficou lá atrás!!! Pelo amor de deus!!! Pára!!