Archive for Julho 17th, 2009
dos escritos
Aqui guardando umas coisas, arrumando outras, daí esbarro num texto.
Bem velho, não é meu, é meu? De quem é isso?
…não, não é meu. Eu nem escrevia nessa época.
De quem é?
Bonito… é sim, bem bonito.
Rá, me deixa sorrindo. Putz, quem será que escreveu isso?
Lembro… um pouco. Lembro sim! Eu já li isso antes!
Nossa, sério, como esse negócio veio parar aqui assim?
Até ontem nem tinha visto!
Nossa… sorrindo de novo, isso é
…
Foi ela. Caramba. Nem lembrava. Tem tempo que não leio nada dela.
…
Me deixa nervoso.
Me inquieta.
Que chatice, que pedância nessas palavras.
Me dá sede.
Caramba.
Nem termino de ler isso.
Será que eu apago?
Vai parecer maldade.
Ah, vai nada.
Pronto.
…
Tinha tempo que não lia nada dela.
metrô, mm
Uma estação de metrô.
Tá tudo lotado, você não consegue se mover direito.
Segura a mochila mais perto, apalpa os bolsos a todo momento.
Celular, carteira, cartão. Chaves?! Chaves.
Chega, todo mundo se move e você se move junto – como se algum protesto fosse de um mínimo valor.
Aos poucos as portas se aproximam, a multidão que sai e a que entra se confundem.
Um banco!
Vazio, você se apressa e senta.
O vagão vai enchendo, você dobra as pernas o máximo que pode pra ceder espaço.
Todo mundo que coube entrou, as portas se fecham, os vagões correm.
Seis estações até lá.
Daí um ônibus um trem e chega.
- Pára!
Uns três minutos por estação, uns vinte quase, menos com o que já passou.
O sabor do chiclete já foi tarde. Agora é amargo, o gosto de uva sumiu e ficou um leve de nicotina que se mistura ao hálito. Amargo.
- Pára!! Pára!!
Porra, tem um cara ali gritando. Nem dá pra ver quem é. Tudo apertado aí e o cara causando um puta tumulto.
- Pára motorista!! Pára pelo amor de deus!!!
Metrô tem motorista? Você não sabia. Mas tem mesmo? Vê o cara ainda gritando. Um nervosismo toma conta do vagão.
- Pára por favor!! Meu filhinho!!
Ah nã
- Meu filho soltou da minha mão!!! Meu filho ficou lá atrás!!! Pelo amor de deus!!! Pára!!