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Sumiu!

Escrito por Bisc8

24/10/2009 em 11:53 am

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42, 35

com um comentário

Hoje me dei rindo das crianças falando
-Tchau tio!
e indo embora com as caras pintadas. Deu vontade até de ter filhos. Não que eu não goste de crianças, só não gosto daquelas do tipo que quebra Legos montados (Rafael, um abraço).
-Quem não fizer fila não ganha pintura!
Elas me ouvem por pouco tempo e só por interesse mas ao menos ouvem.
-Que é que você quer no desenho?
-Um dinossauro!
Não sei desenhar dinossauro.
-Serve daqueles pescoçudos?
-Aham.
Meu brontossauro parecia um cavalo mas o molequinho foi embora com um sorrisão.
-E você?
-Um tiranossauro rex!
Que borrão feio. Uma obra de arte.
-E você?
-Um transformers!
-Meu deus, não serve uma bola?
e
-Um morcego.
(horrível, horrível)
-Pronto! Mais bonito que o Batman!
Aí foram embora em fila, ficaram parados na porta e eu lá do lado. Pergunto a idade deles e a loirinha com uma borboleta enorme desenhada no rosto todo diz Cinco! e um Seis! ali e acolá.
Aí pergunto qual minha idade e alguém diz Quarenta e dois! e outro Trinta e cinco! e eu de barba feita com cara de menor.
Vão embora com Tchau tio! e aí chega outra turma e nem a dor nos pés nem o sono acumulado nem a fome desfazem o leve que isso dá.

Escrito por Bisc8

20/10/2009 em 5:22 pm

Mão armada

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Bibliotecária [B]: voltando do fim do expediente. Vestido bege. Passos rápidos. Sem expressão no rosto.

Menino [A]: andando de bicicleta rumo [B]. Acuado.

[A] freia em frente a [B] e
- Aí perdeu é assalto passa tudo que tô arm-

Mão direita [MD]: sacola plástica com três livros.
O maior [L]: pesa aproximadamente um quilograma e meio. Capa dura.
Mão esquerda [ME]: nada.
Pés esquerdo [PE] e direito [PD]: mocassins novos e marrons.

[B] usa [ME] para ajudar [MD] a levantar a sacola e atingir [A] no lado esquerdo da cabeça.
[A] cai da biclicleta.

[B] atinge [A] na cabeça novamente com a sacola.

[A] geme baixo de dor. Murmura algo ininteligível.

[B] se senta sobre o peito de [A] e apoia, um sobre cada ombro deste, [PE] e [PD].

Os dedos das mãos de [A] tremem.

[B] retira [L] da sacola.

[ME] se apóia no chão ao lado direito da cabeça de [A].
[MD], esticada para cima, apóia [L].

[MD] desce com a ajuda do peso de [L].
[MD] sobe.
[MD] desce com a ajuda do peso de [L].
[MD] sobe.
[MD] desce com a ajuda do peso de [L].
[MD] sobe.
[MD] desce com a ajuda do peso de [L].
[MD] sobe.

Os dedos das mãos de [A] não tremem.

[B] guarda [L] na sacola.
[B] se levanta, limpa [PD] e [PE] na grama e  segue caminho.

Escrito por Bisc8

20/10/2009 em 5:20 pm

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pra merecer

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Vendo o pós-chuva lembro de você e de mim e de como a gente passava os dias assim, seu medo da trovoada, os cobertores.
Das receitas a dois e do teu mau humor na cozinha.
Da sua cara me vendo comer (naquela época comer era tão mais prazeroso) e do Adoro te ver comendo assim.
Da janela fechada e o ventilador ligado o tempo todo.
Das coisas caídas sobre a mesa.
Do almoço pronto às seis da tarde.

Nem é o começo nem o fim nem o meio nem nada. Just do it, sei lá.

Simplismente ou simplesmente seja e essa conversa toda.
Janeiro taí.

Escrito por Bisc8

20/10/2009 em 5:16 pm

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tango do mecânico

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Tonico vestiu seu casaco,
trancou a porta,
trancou o portão,
andou a calçada,
virou a esquina,
entrou no bar,
comeu um pãonachapa,
bebeu um café requentado de garrafa térmica da Walita,
pagou com uma nota de um e levou uma bala,
voltou pra rua,
seguiu duas quadras,
viu o portão de casa aí encostaram um cano em sua barriga e ele não tinha nem nota de um e levou outra bala.

Escrito por Bisc8

20/10/2009 em 5:14 pm

jack frost

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Acaba a força numa vila mínima coberta pela neve.
Um menino de dezessete se levanta e olha a janela do quarto.
A sombra dos cabos de força lá fora treme.
Mudam pra algo como três macacos pendurados.
Ele pula a janela e vê três crianças se lançando de cabo em cabo.
Outras se juntam e pulam nos carros. Alarmes disparam e só os faróis piscando iluminam a única rua do local.
Cai a neve e o menino caminha rumo à calçada para ver melhor. O pai do menino acaba de abrir a porta de casa e vê seu filho indo rumo àquela Babilônia.
O menino ouve passos e se vira e vê um punho fechado.
O pai gritando na calçada.
As crianças parando e uma a uma indo rumo ao pai.
Os alarmes ainda piscando.
Cada criança traz algo numa das mãos.
O pai vê bonecos de neve na rua.
Vê o menino sendo arrastado.
As crianças se aproximando com duas bolas de neve enormes e alguns gravetos.

Escrito por Bisc8

20/10/2009 em 5:11 pm

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We’re causing people pain / I stand and take the blame, you scramble into the night

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Iii, triste.
A tal da inspiração vem, vai, jogada fora porque a caneta tá longe. Acho que por hora basta. Ou não. Na verdade nem sei o que é isso tudo.

Escrito por Bisc8

13/10/2009 em 11:31 am

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o pandeiro ajuda

Escrito por Bisc8

13/10/2009 em 11:20 am

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De cama.

Escrito por Bisc8

13/10/2009 em 11:19 am

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O mau-humor me acompanha há uma semana mais ou menos. Um misto disso e daquilo e falta disso e daquilo também só torna

os dias mais quentes

o meu saldo bancário mais risível

os me-times mais irritantes

a minha barba mais irritada

as conversas mais ríspidas

tudo fica meio ruim. Daí de repente chove e de repente esfria e de repente eu fico com o saco um pouco menos cheio.

São Pedro, obrigado.